Sobre a Obra:

No livro A mente educada, o professor canadense Kieran Egan escreve que apesar dos enormes investimentos realizados por todos os países na procura de melhores resultados para a área educacional, usando o conhecimento e a experiência dos mais famosos pensadores e pesquisadores acadêmicos, a conseqüência final, infelizmente, ainda deixa a desejar.

Leva-se pouco em conta a realidade existente. A ela agrega-se muito pouco valor. E os principais prejudicados continuam sendo os alunos que, apesar de todo o aparato tecnológico atual, de todos os investimentos realizados e de toda teoria apresentada, continuam a freqüentar a mesma sala de aula de 50 anos atrás.

Com a educação a distância (EaD), o mesmo acontece. O renascimento da EaD no Brasil, graças às novas tecnologias de comunicação, trouxe novas perspectivas para o cenário educacional brasileiro. Com certeza, tivemos avanços e vieram mudanças, mas pouco foi feito em termos de inovação e criatividade para o ensino superior, mesmo com tanta tecnologia e com tanto investimento.

Digo isso por experiência própria. Fomos pioneiros no lançamento de cursos superiores, e mesmo na EaD, com o uso de novas tecnologias. Tenho certeza que fomos uns dos primeiros a investir e a desenvolver ambientes virtuais de aprendizagem e a colocar em prática a Portaria nº 2253 e cursos e disciplinas online. Fomos, também, pioneiros na implantação e fundação da primeira rede virtual de ensino superior privado, a Universidade Virtual Brasileira, e justamente por conta dessa experiência posso dizer que ainda temos muito a fazer pelo ensino superior e na educação a distância.

Na EaD, o papel do professor, ou do tutor, é fundamental. Mais do que isso, é fator crucial para o
sucesso e a motivação dos alunos distantes. Não é através do texto ou de recursos multimídiaticos que o aluno irá se motivar e dar continuidade ao aprendizado, mas, sim, pela forma como irá se sentir pertencendo ao grupo e da maneira como o professor irá auxiliá-lo na construção de seu conhecimento. Muitas questões ainda estão em suspenso. Não apenas para professores e alunos, mas também para nós, mantenedores, reitores e gestores de Instituições de Ensino Superior.

A idéia de escrever um livro colaborativo, utilizando a própria rede como recurso e como estratégia, a experiência de mais de vários professores virtuais, não é apenas inusitada e, eu acredito, pioneira, mas pode servir de base para se repensar até o atual modelo de cursos on-line cuja ênfase está no conteúdo e não nos debates.

Quando a proposta de fazer este livro foi apresentada à Anhembi Morumbi, com a participação de nossos professores que já haviam participado de cursos on-line, eu mesmo não tinha idéia se o projeto iria conseguir ter continuidade e se as discussões não iriam se perder no vazio. Ao reler agora os 50 dias de discussões on-line, parabenizo as organizadoras do livro e a autora da idéia, e, principalmente, os professores que toparam a idéia e mantiveram-se fiéis até o último minuto.

Com certeza, para o próximo, que sei que já está a caminho, devem ser feitas alterações e mudanças para melhorar a discussão e manter o grupo unido e motivado até o final. Mas esse é o preço e o desafio de ser pioneiro.

A Anhembi Morumbi sempre acreditou e investiu nas novas tecnologias como uma possibilidade de agregar valor ao ensino superior. Nos anos 1980, pesquisávamos e utilizávamos o videotexto. Nosanos 1990, partimos para a web e para os ambientes virtuais de aprendizagem. Nos anos 2000, inauguramos a idéia de rede e consórcio para a educação a distância. Até hoje, já produzimos mais de 145 disciplinas; aproximadamente 8.000 alunos anualmente cursam disciplinas a distância na Universidade, em diversos programas: Aprimoramentos, Extensão, Day-Free, Sexta-Free, DP orientadas pela Internet, Pós-Graduação e Seqüenciais a Distância; além de termos mais de 60 professores atuando como tutores virtuais.

E não pretendemos parar por aí. As tecnologias avançam dia a dia e as possibilidades de recursos para a área educacional estão cada vez mais reais. Basta usar a criatividade e a inteligência a nosso favor. Ou melhor, a favor do aluno e de sua aprendizagem. Parabéns a todos os professores participantes desta iniciativa.

(Gabriel Mário Rodrigues - Reitor da Universidade Anhembi Morumbi)

Fonte: Universia